Sintegração sobre Abertura

    Como dinâmica da Sintegração de Abertura, foram estipuladas 4 rodas, nas quais poderíamos atuar em três papeis distintos, sendo esses de crítica, observação e discussão. Ao longo das rodadas cada sala teve como pauta um tema diferente. De modo breve, este foi o meu trajeto particular pela sintegração:

    Na primeira rodada, fiquei na sala 3 que tinha como tema “discutir a relação do virtual com a vida cotidiana (com a sociedade / tempo-espaco — tendo como referência inicial o Familistério)”. Desse modo, tive como papel o de crítica, de modo que me afastei da discussão ativa. Acredito que por ser uma experiência nova pra todos, o debate demorou a iniciar e realmente a se desenvolver, de forma que a discussão foi mais breve do que estipulado. Entretanto, os participantes desenvolveram o questionamento acerca do que definiria o virtual, a importância da adaptação a cada indivíduo, sua interação, e a possibilidade de ser transformado. Além disso, foi relacionado essa definição ao Familistério, visto que poderia exemplificar essa arquitetura mutável. Portanto, a discussão foi bem desenvolvida e interessante, porém pelo tempo desperdiçado no começo, alguns ponto e aprofundamento tiveram que ficar de forma, sendo isso o cerne da minha crítica no desfecho.
    Na segunda rodada, a sala 8 tinha como proposta “Discutir a interatividade interativa e a interatividade não-interativa exemplificando com "objetos" (quase-objetos ou não-objetos), espaços e situações do cotidiano”. Mais uma vez estive afastada da discussão, uma vez que tive o papel de observar. Porém, a discussão fluiu mais natural e dinâmica, comparado a primeira vez, o que mostra que a compreensão e imersão na sintegração evoluiu rapidamente. O ponto principal discutido foi a comparação entre as interatividades e seus produtos, principalmente levantando exemplos expostos na introdução da aula, como a questão do piano (interativo) e a caixa de música (não-interativo).
    Na terceira rodada, estava proposto a questão de “Problematizar a proposta de obstáculo no contexto de abertura de possibilidades”, na sala 10. Dessa vez, participei ativamente na discussão, uma vez que foi o papel estipulado. A discussão começou com uma breve recapitulação dos âmbitos conceituais e teóricos de Flusser no seu texto "Design: obstáculo para remoção dos obstáculos?", de forma que todos os participantes se situassem no tema. A partir disso, uma série de questionamentos sobre como funcionaria esse ciclo do objeto para um obstáculo e do obstáculo para um objeto, uma vez que sugere uma rede de limitações cada vez mais fechadas. Em contrapartida, entramos na problematização que, ao mesmo tempo que o obstáculo limita os usos, se todos os objetos se vissem completamente livres deles, qual seria a motivação, a necessidade instigadora da criação.
    Por fim, a quarta rodada, a sala 16 tinha como tema “Discutir como passar da experimentação estética com a abstração na tela bidimensional para o não-objeto no espaço tridimensional e, mais além, na direção da interatividade-interativa”, em que continuei na discussão. Assim, utilizando Flusser, novamente, em sua “Teoria do Não-Objeto” foi questionado como a base e os limites da tela não bastariam para promover a interação-interativa. Ademais, outro ponto levantado foi a possibilidade da bidimensionalidade na interação ou não. No final, retornou aos campos teóricos e conceituais para embasar mais o debate, principalmente a questão do concretismo e neoconcretismo.

    Portanto, a minha experiência foi bastante positiva, uma vez que o modelo de sintegração permite a abordagem de vários assuntos simultâneos que vão se interligando ao longo das salas. Acredito que apesar da dificuldade de imersão, inicialmente, dado a compreensão da dinâmica proposta, as discussões se desenvolveram bem fluidas. 

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